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30.5.09



Luto: Viver Apesar de Tudo

Viver é também saborear o gosto acre da morte, do luto. Não apenas da morte propriamente dita, mas das mortes transfiguradas nas inúmeras perdas que sofremos durante toda nossa existência. O menino que fui, morreu para o adolescente que chegou, que morreu para o jovem, para o adulto. Enfim, o dia de ontem morreu para o dia de hoje, o segundo anterior morreu para o segundo quem vem. O passado morre para o presente, e se o luto não for elaborado, viveremos eternamente presos ao instante anterior, onde a vida já deixou de existir, já deixou de ser uma companhia. Viver é uma cidade sem muralhas, dizia Epicuro. Nesta cidade, estamos sujeitos a tudo: a dor e o prazer, a vida e a morte.
A vida e a morte, são como dois bailarinos que sincronicamente fazem juntos todos os seus movimentos; passos, gestos e sutilezas. Dançam juntos a mesma música, a mesma coreografia. A vida enquanto presente, leva uma vantagem de milésimos de segundos da morte, enquanto passado. Porém, a linha é tão tênue e sutil, que não percebemos a diferença. Por vezes, esse luto mais cotidiano, ordinário, passa desapercebido, não damos atenção porque aparentemente são segundos banais. Entretanto, quando nos damos conta, estamos com 70, 80 anos de idade e em um leito de morte. Só então é que teremos a sensação de não termos vivido, da vida ter se esvaído como água por nossos dedos. Ficamos tão agarrados ao passado, tentando pegar o abstrato, ver o invisível, que não nos damos conta, de que o presente fluía com todas as suas possibilidades. Mas, infelizmente “não estávamos lá” para usufruir. Só agora que estamos na eminência da “última morte”, é que percebemos que sem a morte não há vida, e que aceita-la, significa a possibilidade de uma nova vida que se renova a cada instante.
A todo o momento há falta. Essa falta, de qualquer forma pode trazer dor, e quando não aceitamos, pode nos trazer sofrimento. E pelo fato de não ser aceitar, há luto. Com isso, temos a cômica, ou trágica imagem do cachorro correndo atrás do próprio rabo. O real nos nega o objeto de desejo, nós negamos que nosso desejo foi negado pelo real, o que fatalmente resulta em dor. Nos revoltamos contra a vida, e a achamos injusta, sofremos ainda mais.
A impressão é que a realidade é o grande carrasco do desejo. E na verdade o é. Todavia, a realidade também é bondosa como uma mãe que às vezes é dura sim, mas que nos ensina a viver, a amar, a usufruir o que a vida tem a nos oferecer, apesar da morte, apesar da perda. A realidade às vezes concede nossos desejos e se não estes, outros, e com o tempo, aprendemos que também podemos ser felizes com estes “outros”. A felicidade não depende das perdas, mas sim do que conseguimos ganhar, e é isso o que importa.
Nada mais certo e normal que a morte, tudo o que tem um início, fatalmente terá um fim, e todos sabemos disso, porém preferimos nos enganar pensando que tudo é eterno. Meu namoro, meu casamento, meu cachorro, meu emprego, meus pais, meus avós, eu mesmo; todos eternos e perde-los não estava no escript. O trabalho de luto é aprender a dizer sim, tanto para a vida, quanto para a morte; para os ganhos e para as perdas.
Vida Breve
Uma vida não é senão um breve instante na eternidade, independente do quanto dura esse instante, é imprescindível que seja bem vivido, do contrário, a vida será um hiato, um vazio sem sentido. Dentro de cada vida, muitas outras vidas perfilam, vidas que a todo instante deixam de ser, deixam de existir, porque outras estão à espera. E cada finalização dessas breves existências, nos trazem o luto e sua conseqüente e necessária elaboração. Este que nos possibilita o desapego, a libertação de uma das mortes de nossa vida, para que novas possam nascer.
Aquele morreu quando estava para aproveitar a vida, desgostoso por ter sido tão breve e pouco vivida, ouve-se o comentário. Sendo assim, o que se lê é: aquele nunca aproveitou a vida! Sua existência correu rápida e descolada de si mesmo, e dela, não se aproveitou ou pouco se aproveitou. E porque até então não se pôde aproveitar? Por certo temos aqui a ausência do bem viver, portanto a dificuldade em morrer. Dificuldade, porque achamos que a vida não foi suficiente, queríamos mais, pois não nos sentimos preenchidos.
Este morreu feliz, conseguiu realizar seus sonhos. Portanto, este morreu completo, e talvez com uma morte bem aceita. Quando vivemos mal, a morte nos tira a vida, e a perda é vista como um roubo. Quando vivemos bem, a morte é apenas o último estágio da vida, a perda pode até deixar um vazio, mas não a revolta, não o sofrimento sem tréguas. Este por certo, perceberá que a vida continua, mesmo após uma perda ou morte. E na eminência do próprio fim, se liberta por si mesmo da vida que tanto lhe proporcionou, e sendo ele sabedor deste fim, parte tranqüilo e sereno.
“A morte só nos tomará o que quisermos possuir”, dizia Sponville, e Freud complementa: “não sabemos renunciar a nada. Apenas sabemos trocar uma coisa por outra”. E isso, a realidade pode nos dar. Posso amar outros, ser outro, ter outros. Constantemente travamos uma luta entre nossos desejos, amores ou posses, e a realidade – os impedimentos para alcançarmos tudo o que queremos – Muitas vezes, o real é mais forte, e perdemos essa briga.
O luto pode acontecer tanto do que tínhamos e perdemos, como: emprego, empresa, casamento e morte de um ente querido. Quanto do que esperávamos ter, mas que até o momento não conseguimos, como uma promoção, o carro que não conseguiu comprar, uma paixão que nunca foi correspondida ou ganhar o prêmio na loteria. E tão maior for nosso apego ao que temos ou ao que poderíamos ter, tão maior será o sofrimento caso perdemos. Elaborar o luto é se libertar do desejo, quando ele não pode ser realizado. Isso não serve para dizer que não devemos correr atrás de nossos sonhos, ou viver intensamente nossas paixões e que não devemos empreender nosso máximo para conseguir, mas sim, para dizer que a vida continua apesar de não ter conseguido. Acredite, o mundo é generoso.
A dor do luto
O luto como já dito, carrega em si a dor, viver é estar em constante luto e elaboração do mesmo. Essa elaboração é a ponte que nos leva da dor ao prazer. Luto é aprendizagem, é experiência. O luto nos torna humanos, que sabemos, somos mortais. Portanto, a morte é nossa fiel amiga e não podemos fugir dessa fidelidade. Ela pode ser ludibriada, se postergada, atrasada, mas nunca deixará de vir ao nosso encontro, como disse ela é fiel e cumpre o que promete, cedo ou tarde. Ela nunca deixa de estar presente, para nos mostrar como num espelho, nosso corpo a todo tempo desnudado pelo real. O real é a própria morte, são as perdas, os fracassos, as decepções, as frustrações, as amputações do desejo. Entretanto, o real nos pega mesmo a contra gosto, e por vezes nos mostra exatamente o contrário, que tudo tem um fim, que tudo isso não passa de um conto de fadas. O castelo de cartas cai por terra. Dor, sofrimento, luto.
A elaboração do luto é a aceitação da realidade tal como ela é, nua e crua. É aprender a viver com a ausência, com uma perda, buscando algo novo que nos vá preencher. Nunca é claro, o mesmo preenchimento, apenas um novo. O luto é da morte, não da vida. O que morre são partes de nós, o todo continua vivo. Assim como, a cada dia milhares de células morrem em nosso corpo, porém, milhares nascem para manter o todo nas melhores condições possíveis, e pelo maior tempo possível.
Por Odair José Comin


:: publicado por Alice Lanalice às 12:31


25.5.09



SUGESTÕES DE FILMES

A Balada de Narayama (Narayama Bushi-Ko), Japão - 1983
Gênero: Drama - Tempo de duração: 123 minutos - Direção: Shohei Imamura
No fim do século XIX, em meio à guerra, miséria, emigração; os moradores dos humildes vilarejos ao completar 70 anos de idade deveriam subir ao topo da montanha local, uma região sagrada e, como elefantes velhos, deveriam esperar pela hora da própria morte, sozinhos.

A Cura (The Cure), Estados Unidos - 1995
Gênero: Drama - Tempo de duração: 110 minutos - Direção: Peter Horton
O filme exibe a amizade de dois garotos, sendo um deles portador do HIV+, que buscam a cura para a AIDS.

A Noiva Cadáver (Corpse Bride), Estados Unidos - 2005
Gênero: Comédia - Duração: 78 minutos - Direção: Tim Burton e Mike Johnson
Em um vilarejo europeu do século XIX vive Victor Van Dorst, um jovem que está prestes a se casar com Victoria Everglot. Porém acidentalmente Victor se casa com a Noiva-Cadáver, que o leva para conhecer a Terra dos Mortos. Desejando desfazer o ocorrido para poder enfim se casar com Victoria, aos poucos Victor percebe que a Terra dos Mortos é bem mais animada do que o meio vitoriano em que nasceu e cresceu.

A Última Grande Lição (Tuesdays with Morrie), Estados Unidos - 1999
Gênero: Drama - Tempo de duração: 89 minutos - Direção: Mick Jackson
Mitch, um bem sucedido jornalista de esportes, sofre um grande baque ao saber que seu antigo professor Morrie Schwartz está morrendo. Apesar de ser uma pessoa muito ocupada, Mitch se ausenta de seu trabalho para ir ao encontro do velho amigo. Ao encontrar Morrie próximo à morte, Mitch decide visitá-lo todas as terças-feiras e aproveitar ao máximo o tempo de vida que resta ao seu antigo tutor. Essa aproximação fará com que Mitch aprenda com esse homem doente mais do que aprendeu com qualquer outra pessoa durante toda sua vida.

As Invasões Bárbaras (Les Invasions Barbares), Canadá - 2003
Gênero: Drama - Tempo de duração: 99 minutos - Direção: Denys Arcand
Este drama canadense trata dos últimos dias da vida de um professor universitário que se encontra gravemente doente e internado num hospital de corredores superlotados, vivendo o inferno do sistema de saúde público, tão caótico quanto o nosso. O acadêmico reúne amigos dos tempos da universidade e família para acertar o seu passado, desconstruindo-o. Um filme com referências políticas e culturais e que faz uma bem humorada crônica da modernidade, exorcizando, inclusive, os fantasmas da geração da década de 60. O filme ganhou em Cannes, em 2003, o prêmio de melhor roteiro e melhor atriz para Marie-Josée Croze.

Amor Além da Vida (What Dreams May Come), Estados Unidos - 1998
Gênero: Drama - Tempo de duração: 113 minutos - Direção: Vincent Ward
Depois da morte de seus dois filhos, Chris Nielson e sua mulher Annie passam por insuperáveis dificuldades emocionais. Anos depois, acontece outra tragédia: Chris também morre. Ele vai para o Paraíso, onde conhece Albert, um rapaz de bom coração que vai ajudá-lo a se adaptar à nova existência. Para Annie, o marido era a última gota que a prendia à vida e ela acaba se suicidando. Porém, diferentemente de Chris, ela não vai para o Paraíso, mas sim a um lugar diferente, uma espécie de purgatório onde ficam as almas perturbadas. Quando descobre o destino da mulher, Chris pede ajuda a Albert e os dois saem em uma jornada em busca da salvação da alma de Annie, provando que o amor desafia qualquer infortúnio.

Cinco Dias Antes Da morte (5ive Days to Midnight), USA/Canadá, 2004
Gênero: Suspense - Tempo de duração: 210 minutos - Direção: Michael W. Watkins
Após descobrir que será morto em 5 dias, um homem tenta alterar o futuro.

Colcha de Retalhos (How to Make an American Quilt), USA - 1995
Gênero: Drama - Tempo de duração: 116 minutos - Direção: Jocelyn Moorhouse
Uma moça em crise após um pedido de casamento de seu namorado, volta à casa de sua avó no interior para terminar sua tese de mestrado. Esta por sua vez, organiza em sua casa um grupo de senhoras que se reuniram para produzir a colcha como presente de casamento. A partir das experiências de vida relatadas por este grupo de senhoras no decorrer de suas férias, a moça busca encontrar a resolução de seus conflitos.

Em Busca da Terra do Nunca (Finding Neverland), Estados Unidos - 2004
Gênero: Drama - Tempo de duração: 106 minutos - Direção: Marc Forster
J.M. Barrie é um bem-sucedido autor de peças teatrais, que apesar da fama que possui está enfrentando problemas com seu trabalho mais recente, que não foi bem recebido pelo público. Em busca de inspiração para uma nova peça, Barrie a encontra ao fazer sua caminhada diária pelos jardins Kensington, em Londres. É lá que ele conhece a família Davies, formada por Sylvia que enviuvou recentemente, e seus quatro filhos. Barrie logo se torna amigo da família, ensinando às crianças alguns truques e criando histórias fantásticas para eles, envolvendo castelos, reis, piratas, vaqueiros e naufrágios. Inspirado por esta convivência, Barrie cria seu trabalho de maior sucesso: Peter Pan.

Ensina-me a Viver (Harold and Maude), Estados Unidos - 1972
Gênero: Comédia - Tempo de duração: 90 minutos - Direção: Hal Ashby
O relacionamento entre um rapaz de 20 anos, com obsessão pela morte, que passa seu tempo indo a funerais ou simulando suicídios e uma senhora de 79 anos encantada com a vida. Eles passam muito tempo juntos e, durante esta convivência, ela expõe a beleza da vida. Ele decide se casar com ela, mas uma surpresa mudará sua vida para sempre.
Sugestão: Eliane Pietroluongo Vianna

Gritos na Noite (Everything Put Together), Estados Unidos - 2000
Gênero: Suspense - Tempo de duração: 87 minutos - Direção: Marc Foster
Numa comunidade aparentemente perfeita, Angie e seu marido se preparam para a chegada de seu bebê. No dia do parto ela é rodeada por flores, médicos e todos os seus amigos. Ainda sem ver o bebê, ela nota seu médico chamar o marido para uma conversa em particular. Antecipando a notícia, Angie desespera-se diante da destruição de seu sonho e de um mundo perfeito que ela acreditava existir.
Sugestão: Alessandra Cholfe

Lado a Lado (Stepmom), Estados Unidos - 1998
Gênero: Drama - Tempo de duração: 125 minutos - Direção: Chris Columbus
Isabel Kelly é uma fotógrafa bem sucedida e a nova mulher na vida do divorciado Luke Harrison, pai de duas crianças. Jackie a ex-mulher de Luke, faz o tipo mãe em tempo integral. Existe certo conflito entre o jeito como as duas encaram a família e o trabalho, até que Jackie descobre que tem câncer e lhe resta pouco tempo de vida. Com a idéia de que Isabel logo terá que fazer o papel de mãe, as duas começam a trocar experiências.

Mar Adentro (Espanha - 2004)
Gênero: Drama - Tempo de duração: 125 minutos - Direção: Alejandro Amenábar
Ramón Sampedro é um homem que luta para ter o direito de pôr fim à sua própria vida. Na juventude ele sofreu um acidente, que o deixou tetraplégico e preso a uma cama por 28 anos. Lúcido e extremamente inteligente, Ramón decide lutar na justiça pelo direito de decidir sobre sua própria vida, o que lhe gera problemas com a igreja, a sociedade e até mesmo seus familiares.

Meu Pai, Uma Lição de Vida (Dad), Estados Unidos - 1989
Gênero: Drama - Tempo de duração: 118 minutos - Direção: Gary David Goldberg
Um casal de idosos vivia numa cidade do interior dos Estados Unidos. O marido por sua vez era absolutamente dependente de sua mulher, até que um dia esta sofreu um ataque cardíaco e foi hospitalizada. A partir desta experiência este senhor re-significa sua vida e seus hábitos, o que provoca mudanças em toda a reorganização familiar.

Minha Vida sem Mim (Mi Vida Sin Mi), Espanha/Canadá - 2003
Gênero: Drama - Tempo de duração: 106 minutos - Direção: Almodóvar
Tendo apenas 23 anos, Ann (Sarah Polley) é mãe de duas garotinhas, Penny (Jessica Amlee) e Patsy (Kenya Jo Kennedy), e é casada com Don (Scott Speedman), que constrói piscinas. Ela trabalha todas as noites na limpeza de uma universidade, onde nunca terá condições de estudar, e mora com sua família em um trailer, que fica no quintal da casa da sua mãe (Deborah Harry). Ann mantém uma distância obrigatória do pai, pois ele há dez anos está na prisão. Após passar mal, Ann descobre que tem câncer nos ovários. A doença alcançou o estômago e logo estará chegando no fígado, assim ela terá no máximo três meses de vida. Sem contar a ninguém seu problema e dizendo que está com anemia, Ann faz uma lista de tudo que sempre quis realizar, mas nunca teve tempo ou oportunidade. Ela começa uma trajetória em busca de seus sonhos, desejos e fantasias, mas imaginando como será a vida sem ela.
Sugestão: Eliane Pietroluongo Vianna e Regina Dorth

Nas Profundezas do Mar sem Fim (The Deep End of the Ocean), USA - 1999
Gênero: Drama - Tempo de duração: 105 minutos - Direção: Ulu Grosbard
O filme conta a história de uma mãe que perde seu filho. O pai se esforça para manter a família unida e ajudar sua esposa a reconstruir sua vida, mas mais tarde surge na vizinhança um adolescente muito parecido ao filho desaparecido.
Sugestão: Kalincka Marques

No Limite do Silêncio (The Unsaid), Canadá/USA - 2001
Gênero: Suspense - Tempo de duração: 109 minutos - Direção: Tom McLoughlin
Apresenta a história de um psicólogo respeitado que desiste de clinicar após a morte do filho, mas acaba sendo atraído de volta por um caso excepcional, com repercussões dramáticas.
Sugestão: Bety France

O Enigma das Cartas (House of Cards), Estados Unidos - 1993
Gênero: Drama - Tempo de duração: 109 minutos - Direção: Michael Lessac
A mãe de uma criança, que se fechou para o mundo, após a morte de seu pai se une a um psiquiatra para tentar entender porque sua filha se fechou desta maneira.

O Jogo da Verdade (Moonlight & Valentino), Estados Unidos - 1995
Gênero: Drama - Tempo de duração: 104 minutos - Direção: David Anspaugh
Depois da trágica morte do marido, mulher tenta reiniciar a vida. Para tanto, conta com a ajuda de sua irmã, de sua madrasta e de uma amiga.

O Quarto do Filho (La Stanza del Figlio), Itália - 2001
Gênero: Drama - Tempo de duração: 99 minutos - Direção: Nanni Moretti
Um psicanalista vai trabalhar ao invés de acompanhar o filho à praia e este morre. O filme mostra a tentativa de aceitação e elaboração desta terrível perda para o pai e para toda a família.

O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet), Suécia - 1957
Gênero: Drama/Fantasia - Duração: 96 minutos - Direção: Ingmar Bergman
Antonius Block retorna das cruzadas e encontra sua vila destruída pela peste negra. Depois disso, passa a refletir sobre o sentido da vida, mas a Morte (Bengt Ekerot) aparece para levá-lo. Porém, Block se recusa a morrer sem ter entendido o sentido da vida e propõe um jogo de Xadrez, onde se ele ganhar continua a viver. Apesar de perder o jogo, a Morte continua a perseguí-lo enquanto viaja pela Suécia medieval.

11 de setembro (11'09” 01), França - 2002
Gênero: Documentário - Tempo de duração: 135 minutos - Direção: Youssef Chahine (segmento Egito), Amos Gitai (segmento Israel), Alejandro González-Iñárritu (segmento México), Shohei Imamura (segmento Japão), Claude Lelouch (segmento França), Ken Loach (segmento Reino Unido), Samira Makhmalbaf (segmento Irã), Mira Nair (segmento Índia), Idrissa Ouedraogo (segmento Burkina-Faso), Sean Penn (segmento Estados Unidos) e Danis Tanovic (segmento Bósnia-Herzegovina)
Onze diretores de diferentes países fazem curtas-metragens sobre os atentados terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001.

Para Roseanna (For Roseanna), Estados Unidos - 1996
Gênero: Comédia romântica/romance - Tempo de duração: 100 minuntos - Direção: Paul Weiland
Roseanna está morrendo e o seu desejo é ser enterrada ao lado da filha.

Patch Adams - O Amor é Contagioso (Patch Adams), USA - 1998
Gênero: Drama - Tempo de duração: 114 minutos - Direção: Tom Shadyac
Em 1969, após tentar se suicidar, Hunter Adams (Robin Williams) voluntariamente se interna em um sanatório. Ao ajudar outros internos, descobre que deseja ser médico, para poder ajudar as pessoas. Deste modo, sai da instituição e entra na faculdade de medicina. Seus métodos poucos convencionais causam inicialmente espanto, mas aos poucos ele vai conquistando todos, com exceção do reitor, que quer arrumar um motivo para expulsá-lo, apesar de ele ser o primeiro da turma.
Sugestão: Vanessa Lopes de Almeida

Ponette – À espera de um Anjo (Ponette), França - 1996
Gênero: Drama - Tempo de duração: 93 minutos - Direção: Jacques Doillon
História de uma menina de quatro anos que perde sua mãe. A dor do luto e a tentativa de compreensão da morte são apresentadas principalmente do ponto de vista da criança.

Romance de Outono (Used People), Estados Unidos - 1992
Gênero: Comédia dramática - Duração: 114 minutos - Direção: Beeban Kidron
O filme ilustra o desenrolar da vida de uma mulher, e de todos seus familiares, após a morte de seu marido.

Sob a Areia (Sous le Sable), França - 2000
Gênero: Drama - Tempo de duração: 91 minutos - Direção: François Ozon
Em meio às férias de verão, um homem (Bruno Cremer) desaparece misteriosamente. Sua esposa (Charlotte Rampling) retorna à cidade e se recusa a considerar sua morte.

Terra das Sombras (Shadowlands), Inglaterra - 1993
Gênero: Drama - Tempo de duração: 131 minutos - Direção: Richard Attenborough
Em 1952, na Universidade de Oxford, surge o relacionamento entre o professor e intelectual C.S. Lewis e a escritora americana Joy Gresham. Eles se encontraram após ela lhe ter escrito uma carta, sendo que esta correspondência a levou a sua primeira viagem à Inglaterra, que ela fez em companhia de seu filho. Lewis a recebeu como cortesia, como parte da rotina de sua vida de professor, mas ele não sabia o que fazer quando algo lhe ficou claro que estava apaixonado.

Terra de Sonhos (In América), Estados Unidos - 2003
Gênero: Drama - Tempo de duração: 103 minutos - Direção: Jim Sheridan
Uma família de imigrantes irlandeses tenta recomeçar sua vida nos Estados Unidos. Enquanto as filhas do casal imaginam seu novo lar como um local mágico e especial, os pais lutam para superar a perda do filho caçula. Tudo isso é visto sob o ponto de vista de Christy, de 11 anos. Com o tempo, a fé e a esperança das meninas contagia toda a família.
Sugestão: Alessandra Cholfe e Angela Damasio
Comentários: Redação "Terra" (leia mais)


Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes), USA - 1991
Gênero: Drama - Tempo de duração: 124 minutos - Direção: Jon Avnet
Senhora de 83 anos conta, para uma desencantada dona de casa, como era a sua vida muitos anos atrás num lugarejo do Alabama.

Tudo Sobre Minha Mãe (Todo Sobre Mi Madre), Espanha - 1999
Gênero: Comédia - Tempo de duração: 101 minutos - Direção: Pedro Almodóvar
No dia de seu aniversário, Esteban ganha de presente da mãe, Manuela, uma ida para ver a nova montagem da peça "Um bonde chamado desejo", estrelada por Huma Rojo. Após a peça, ao tentar pegar um autográfo de Huma, Esteban é atropelado e termina por falecer. Manuela resolve então ir de encontro ao pai, que vive em Barcelona, para dar-lhe a notícia, quando encontra no caminho o travesti Agrado (Antonia San Juan), a freira Rosa e a própria Huma Rojo.

Uma Lição de Vida (Wit), Estados Unidos - 2001
Gênero: Drama - Tempo de duração: 99 minutos - Direção: Mike Nichos
Vivian (Emma Thompson) é uma professora universitária e sabe, através de um oncologista famoso (Christopher Lloyd), que tem um câncer de ovário em estágio avançado. Assim ela terá de fazer um tratamento radical, que resultará em efeitos colaterais, mas não há outra opção. Durante o tratamento Vivian analisa suas reações à doença, o tratamento e fatos marcantes da sua vida. Ela é por Kelekian, que só se importa com o resultado sem levar em conta os efeitos que causam no paciente. Além dele há Jason Posner (Jonathan M. Woodward), um médico que foi aluno de Vivian, e Susie Monahan (Audra McDonald), a enfermeira-chefe e também a única pessoa no hospital que a trata com calor humano, calor este que ela nunca teve com seus alunos mas agora anseia intensamente.

21 Gramas (21 Grams), Estados Unidos - 2003
Gênero: Drama - Tempo de duração: 124 minutos - Direção: Alejandro González-Iñárritu
Três pessoas, Paul (Sean Penn), Jack (Benicio Del Toro) e Cristina (Naomi Watts), têm seus destinos cruzados em função de um acidente. A partir dele serão testados os limites do amor e da vingança, assim como a promessa da redenção. Vinte e um gramas é o peso que uma pessoa perde no momento da morte. É o peso carregado pelos que sobrevivem.

Volver (Espanha - 2006)
Gênero: Drama - Tempo de duração: 121 minutos - Direção: Pedro Almodóvar
Raimunda é uma jovem mãe trabalhadora e atraente, que tem um marido desempregado e uma filha adolescente. Como a família enfrenta problemas financeiros, Raimunda acumula vários empregos. Sole, sua irmã mais velha, possui um salão de beleza ilegal e vive sozinha desde que o marido a abandonou para fugir com uma de suas clientes. Um dia Sole liga para Raimunda para lhe contar que Paula, tia delas, havia falecido. Raimunda adorava a tia, mas não pode comparecer ao enterro pois pouco antes do telefonema da irmã encontrou o marido morto na cozinha, com uma faca enterrada no peito. A filha de Raimunda confessa que matou o pai, que estava bêbado e queria abusar dela sexualmente. A partir de então Raimunda busca meios de salvar a filha, enquanto que Sole viaja sozinha até uma aldeia para o funeral da tia.



:: publicado por Alice Lanalice às 17:07


19.5.09



Receita de Dona Cacilda

Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda,
e tão elegante, que todo dia às 08 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão.

E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução.

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela
ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela.

Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Ah, eu adoro essas cortinas...
- Dona Cacilda, a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um pouco...
- Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa.

E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.

Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...
Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

- Simples assim?
- Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em conseqüência, os sentimentos.

Calmamente ela continuou:
- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.

Depois me pediu para anotar:
COMO MANTER-SE JOVEM

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade,o peso e a altura.
Deixe que os médicos se preocupem com isso.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.
(Lembre-se disto se for um desses depressivos!)

3. Aprenda sempre:
Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.

'Uma mente preguiçosa é oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!

4. Aprecie mais as pequenas coisas

5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar.
E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele /ela!

6. Quando as lágrimas aparecerem
Aguente, sofra e ultrapasse.
A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios.
VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama:
Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
O seu lar é o seu refugio.

8. Tome cuidado com a sua saúde:
Se é boa, mantenha-a.
Se é instável, melhore-a.
Se não consegue melhora-la , procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa

10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade.

"De nada vale a pena se não tocarmos o coração das pessoas."


:: publicado por Alice Lanalice às 18:47


8.5.09



MAMÃE

Se eu quisesse agradecer-te tudo aquilo que te devo, eu deveria passar o resto de minha vida, de joelhos, rezando.
És a presença maior em meio a tantas outras presenças amigas que marcaram minha existência.
Fostes e continuas sendo a grande mestra dos meus dias.
Na tua escola de amor aprendi a distribuir bondade, semear conforto e repartir um pouco de mim mesmo com todos aqueles que Deus colocou em meus caminhos.
Na tua escola de coragem, renúncia e perseverança, aprendi a enfrentar os problemas, vencer os obstáculos e seguir em frente, com um sorriso nos lábios e um grande ideal no coração.
Foste o grande-evangelho-vivo dentro do meu cotidiano.Em ti, mamãe, encontrei o próprio Deus.
E por isso eu rezo e canto um hino à vida. Por isso te abraço, comovido, dizendo apenas:
Mamãe, obrigado!

Pe.Roque Schneider


:: publicado por Alice Lanalice às 15:37


5.5.09



REUNIÃO DE MAIO DO GRUPO DE AUTO AJUDA

OLÁ PESSOAL, DIA 8 DE MAIO DE 2009
mais uma reunião do grupo de auto-ajuda

Espaço Macro Carpa
Rua Borges Lagoa, 688 - casa 5 (entre ruas Botucatu e Napoleão)
Vila Mariana

ESPERAMOS VOCÊS !!!

Não deixe de ler o artigo abaixo sobre a CULPA


:: publicado por Alice Lanalice às 13:41


3.5.09



O SENTIMENTO DE CULPA NA PERDA DE UM FILHO

O luto não é uma temática exclusiva da contemporaneidade. É uma questão que atravessa toda história, devido ao homem ser o único ser consciente de sua finitude. Contudo, a forma de como é vivenciada a morte de um filho e o luto que se segue é subjetiva, independentemente de crenças ou conhecimento, pois gera muita ansiedade e temor.

É importante que os pais possam conversar, dividir com alguém os sentimentos que podem surgir, como a raiva, tristeza, o desânimo, a saudade. É importante também que se permitam vivenciar todos esses sentimentos e saibam que o processo de luto leva algum tempo para ser elaborado. É muito difícil conviver com isso sozinhos, a companhia de pessoas próximas efetivamente é muito importante, para a reestruturação.
A morte é uma questão fundamental com a qual vamos nos deparar, considera-se o fim, sendo um evento biológico que encerra a vida. Em sua essência, o ser humano acredita que foi criado para viver sempre, eternamente. Penetrando na realidade humana, a morte não cabe aqui como significado de endossar o propósito da criação, sendo completamente estranha. A morte provém do erro, da desobediência e da fraqueza humana. Aceitá-la é aceitar a condição de seres desobedientes, fracos, e, com isso avaliar, julgar o erro humano. Nisso reside a compreensão humana para aceitá-la como fato, o que equivale a assumir a condição humana de fragilidade (Freitas, 2000).

A perda de uma pessoa com a qual se mantém vínculos afetivos, como um filho, é uma experiência dolorosa que fere, machuca e expõe o ser humano à própria impotência. Desde o momento da concepção até a morte, a dor é um amadurecimento pessoal (FREITAS, 2000 p. 47).

Quando se perde um filho, perdem-se muitas perspectivas de futuro, pois é neles que se depositam sonhos e projetos. Um filho não é apenas uma extensão ou continuidade biológica de seus pais, mas também psicológica por ter sido investido de cuidado, atenção e carinho. A morte é vivenciada como “perda de um pedaço” de si. Quando a vida de um filho é interrompida, os pais são violentamente atingidos.

Quando se perde alguém que se ama, fica uma sensação de torpor, um protesto. Perde-se parte de si mesmo. Pode surgir culpa. Talvez se pudesse ter ajudado a pessoa que morreu. Mas não se sabe como. Sente-se solidão e um intenso sofrimento. Sofrimento indescritível, quando se trata de um filho. Foi muito esperado e acalentado. Havia sonhos e expectativas (FREITAS, 2000, p. 48).

A morte de um filho traz aos pais sensação de falha na sua responsabilidade, pois é tido como um ser frágil e indefeso que necessita de cuidado e da proteção dos adultos, por isso a sua morte causa grande frustração e culpa.

Na sociedade ocidental, a morte é encarada como um “corte” na vida e não como uma etapa dela.
Diz-se com freqüência que “Quando seus pais morrem você perde seu passado; quando seus filhos morrem, você perde seu futuro”.
Decorrente da perda vem o luto. Ele causa dor física e emocional, embora se possa reagir de modo semelhante a todas as perdas, o luto pela morte de um filho é, em geral, o mais intenso. Trata-se da interrupção, um corte em uma seqüência esperada, e por ser a morte uma perda sem retorno.

O processo de luto é essencial para que se possa superar uma perda importante. A vivência de um momento como esse se constitui como uma crise na vida do sujeito. Cada um irá reagir e se expressar de acordo com suas próprias características.
(inspirado no TCC de Priscila Jaroseski Giron e Roberta Juvenardi Daltoév)
Referências

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BOWLBY, J. Apego e perda: perda: tristeza e depressão. 3. ed. vol. 3. da trilogia/ trad. Valtensir Dutra. São Paulo: Martins Fontes, 2004b.

BRONBERG, M. H. A psicoterapia em situações de perdas e luto. São Paulo: Livro Pleno, 2000.
DE LAMARE, R. A vida do bebê. 39. ed. Rio de Janeiro: Bloch, 1993.

FREITAS, N. K. Luto materno e psicoterapia breve. São Paulo: Summus, 2000.

KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer: o que os doentes terminais têm para ensinar a médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes. 8. ed. Trad. Paulo Menezes. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

PAPALIA, D. E. Desenvolvimento humano. 7.ed. Trad. Daniel Bueno. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

SEEWLD, F.; CHWARTMANN, B.; BURIN, C.; CORRÊA J.; BASEGIO L. A.; SARAIVA L.; SILVA L. A .; SOARES M. G.; FIRPO M. A.; GUIMARÃES T. L.; Uma dor insuportável: o luto pela morte de um filho;Revista do CEP de PA Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre. Vol.11, p.15-31. Porto Alegre, 2004.
VIORST, J. Perdas necessárias. 4. ed. Trad. Aulyde Soares Rodrigues. São Paulo: Melhoramentos, 2005.

WALSH, F.; MCGOLDRICK, M. Morte na família: sobrevivendo às perdas. Trad. Cláudia Oliveira Dornelles. Porto Alegre: ArtMed, 1998.





:: publicado por Alice Lanalice às 20:22


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